quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Novo Projeto - Prólogo

Eis o novo projeto que estou escrevendo no trabalho. Esse é o prólogo. O livro está com 8 páginas por enquanto, foi o que eu escrevi onte, heh.





A lua estava cheia aquela noite. O céu estava com fortes tons de azul escuro, e as estrelas brilhavam de maneira forte, parecendo que a abóboda celeste não passava de um enorme teto pintado para um quarto de criança. E, afinal de contas, que era o mundo se não uma enorme criança em desenvolvimento?

A raposa estava com sua cigarrilha entre os dedos da mão. Apesar de que raposas, por serem animais selvagens, recebem o nome de suas patas dianteiras como patas dianteiras e não como mãos. Mas, de qualquer forma, a cigarrilha estava em sua mão. Ela tragou lentamente e depois deixou a fumaça sair por seu nariz preto, na ponta do longo focinho laranja. Ela estava sentada numa pedra e aguardava pacientemente à beira da estrada de terra.

Aquela estrada não era muito frequentada, ainda mais uma hora daquela. Às costas da raposa estavam piscando tímidas, talvez com vergonha das luzes das estrelas, as fracas luzes da cidade. Os sentinelas da cidade não conseguiam ver a raposa na distância que ela estava, mas a raposa, com seus olhos aguçados, poderia vê-los se assim desejasse.

As orelhas balançaram automaticamente. Reflexo natural ao som que começara a ouvir. Cascos de cavalo e uma roda de madeira. Passaram-se mais dez minutos, onde a cigarrilha chegara ao seu fim, até que a carroça no estilo de uma diligência, estivesse próxima o bastante e a raposa se levantou.

Ela vestia um colete preto com botões brancos e usava uma espécie de caneleira preta com detalhes em dourado que mostravam que ela não era uma raposa qualquer, pertencia à nobreza, ou ao menos tinha bom gosto. Fora seus olhos verdes como esmeraldas e espertos como olhos de.. bem, de raposa.

O cocheiro, um homem barbado de ar soturno, puxou as rédeas dos dois grandes cavalos, um preto e um tordilho, que pararam imediatamente. A raposa e o homem trocaram olhares e se mantiveram um encarando o outro.

- Trouxe o pacote?
- Isso depende. Trouxe o pagamento?

A raposa arqueou as sobrancelhas. O rabo fofo e peludo se moveu para frente e ela tirou uma bolsinha de veludo. "Esconderijo engenhoso", pensou o cocheiro. O animal de um metro e vinte, equilibrado nas duas patas, jogou a bolsinha, atirando na direção do homem que, de maneira ágil, soltou as rédeas e a segurou no ar. Cuidadosamente ele abriu e deixou que caísse algumas moedas douradas em sua mão. Pegou uma delas e a mordeu de leve, parecendo ficar satisfeito com o resultado.

- Bom. Venha, vou te mostrar a encomenda.

A raposa seguiu o cocheiro que havia saltado e caminhado para trás da diligência. Quando a raposa chegou na parte de trás, porém, o homem, que até então parecia pegar algo, se virou rapidamente segurando uma besta já com a seta pronta. Foi quando arregalou os olhos, a raposa não estava atrás dele como parecera segundos atrás.

- HEYA!

O homem viu quando o cavalo tordilho começou a galopar velozmente levantando poeira, a raposa montada nele à pelo. Amaldiçoou os deuses, mas ficou grato por que havia ficado com o pagamento e com a entrega.

Ou era isso que pensava até que conferiu os dois.


Longe dali a raposa ria raposísticamente.









AS CRÔNICAS DE CHRISTOPHER FOX

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vida - 4 meses.

Vida, vida, vida minha.

Quatro meses. (= Eu não tenho muito para digitar no texto introdutório. Acho que o que eu tenho pra dizer vai ser dito nos textos que seguem abaixo.

Só peço desculpas por não ter conseguido falar com você hoje. beijos meu anjo.

Eu me lembro até hoje do dia em que te conheci.

De quando você me mordia simplesmente por que queria arrancar um pedaço de mim e de como eu pensava sobre seu jeito, selvagem e delicado, triste e alegre, de quem quer algo que já perdeu mas não tem certeza se quer ou não encontrar.

Achava tudo em você lindo. Seus cabelos castanhos, seu sorriso, a forma como escondia a cabeça nos braços quando ia rir desesperadamente. Pensava, entretanto, que, mais uma vez, nada ia acontecer. Que no final da noite eu iria embora e, pff, não ia conseguir estar com você.

O ka falou mais alto, entretanto, afinal de contas a pessoa que nos juntou era seu irmão, minha esposa, que estava num humor tipicamente geminiano no dia e queria ver como ia ser tudo. E me impediu de ir embora sem ao menos te dar um beijo.

E lá estava eu, na hora de ir embora, olhando perdidamente para a menina na frente, mas sem olhar realmente. Meu coração disparava e eu não sabia o que pensar, o que fazer, como fazer. Via sua mão pequena e delicada fazendo gestos, parecendo que me dava tchau, e eu ficava pensando "Oh, ela está pedindo para que eu vá, ou então está me achando muito idiota por ficar aqui com essa cara de perdido".

Você estava, como vim a descobrir depois, me chamando. Algo como um "Alô? Terra para Lahiri..."

E eu tomei coragem e fui te dar um último abraço, me perdendo nos seus enormes cabelos castanhos e passando meu rosto, com a barba por fazer, no seu rosto delicado. Eu me senti como um completo idiota apaixonado. E era isso que eu era naquele momento.

Dei um beijo na sua bochecha, fui descendo mais e nossos lábios se tocaram tímidos. Logo nós havíamos nos separado. Eu fui seguindo aqueles na casa de quem dormiria. Mas, a pesar do meu corpo os seguir, minha mente e meu coração já estavam com outra pessoa. A pessoa que seria o dono deles dali em diante.

Você.


___

Quatro meses.

Quando falo para amigos casados, ou que namoram há anos, parece tão pouco tempo. Mas pra mim é uma vida. A minha, a sua, a nossa.

É incrível como basta pouco tempo para que a gente se torne tão dependente de uma pessoa que, até pouco tempo atrás, a gente nem conhecia. E não consigo mais imaginar minha vida sem você. Como eu já disse antes, prefiro morrer só a tentar novamente, caso algum dia eu te perca.

Você cresceu muito desde que a gente começou a namorar. Não posso dizer o mesmo de mim, acho que não mudei lá essas coisas. Tivemos nossas crises, nossos conflitos, mas continuamos em frente, meu caminho favorito. Sempre em frente.

É um mês par e, segundo o acordo não verbal, é sua vez de dar presente. HAEIUH. Mas como no terceiro mês passou em branco, eu vou tentar surpreender um pouco.

Te amo minha vida. Apesar de tudo, graças a tudo. Mais que tudo. Mais que o mundo.

Apesar das tias-avós, apesar do namorado doido, apesar das carteiras perdidas, apesar das faltas sem razões.

Apesar de tudo isso, você continuou comigo. O mínimo que posso fazer é estar com você sempre que precisar. Não duvide de sua força, mas não ache que a minha é pouca.

<3.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

21-10-2009

Engraçado que eu resolvi postar hoje e, quando entro no blog, vejo que meu irmão postou ontem. HAHA.

Ao texto:


Algumas vezes a gente vai vivendo tão atribulada e loucamente que nem tem tempo de parar para escrever. Outras vezes a gente simplesmente não sente como se tivesse nada pra dizer.

Eu tenho muito pra dizer, para contar. Promessas que tinham de ser feitas para as pessoas certas, lugares que deviam ser visitados. Mas tudo isso é atropelado pelo rolo-compressor enorme e imaterial que se chama "circunstância".

Oh, como me sinto culpado por abandonar as letras, às vezes sinto como se deixasse de ser eu mesmo, outras vezes parece-me que estou dando folga a um lado que jamais conseguiu se aquietar e que agora, finalmente, pode descançar. Mas as letras não somem de minha mente enquanto vivo.

Lembro de quando era mais novo e não conseguia colocar tudo o que queria no papel, por falta de capacidade de escrever e/ou de me lembrar do que desejava. Hoje em dia me vejo novamente nesse beco. O que fazer quando suas idéias não conseguem parar na sua mente por mais de uma hora e você não pode escrever quando elas estão lá?

Como costumo dizer, seguimos em frente, pode ser que tudo fique bem.





Bem, veja só, já que eu "desenvolvi" uma tal narrativa búdica, então resolvi nomear também o estilo narrativo/poético sem noção que gosto de fazer às vezes. O nome vai ser Narrativa Gaimaniana. Por motivos óbvios.


Em cima da mureta, o pobre gafanhoto. No vento frio e gélido e respirando o orvalho, que quase era capaz de mata-lo afogado, ele invejou aquele sobretudo que não comprara na noite anterior. Preferira gastar com bebidas e mulheres. Ambas as coisas porém, como sabem os bem vividos, vão embora rapidamente.

A cartola estava molhada e ele abriu as asas letargicamente e as sacudiu o mais forte que pôde. Os efeitos da bebida ainda corriam em suas veias e ele se sentiu meio tonto com o súbito esforço.

Se atirou da mureta e saiu planando. O sol nasceria em algum tempo e seria um inferno se não conseguisse uma sombra para enfrentar sua ressaca. Outros gafanhotos passavam saltitantes e serelepes ao seu redor, as senhoras com seus vestidos longos e os homens com suas cartolas e seus óculos a lá Machado de Assis. Uma centopéia passou levando seus pequenos filhos para a escola.

A vida seguia sua rotina normal, sem se importar com o gafanhoto, que vomitava o produto final do prêmio da mega-sena, oculto por uma folha de grama mais alta.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Kara di Kombi

Parece que o Lahiri tá namorando demais e escrevendo de menos, então eu vou dar uma ajudinha...

=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-

Esta pequena música/rima/poesia (tanto faz) é dedicada ao pegueteiros de plantão, sei que aí em Brasilia não falta desta raça, aqui tb existem, porém com carros mais fudidos.

Pego o meu carro
e lasco no chão
fico pensando
que estou em um avião

Passo a primeira
e tomo a dianteira
dou risada dos babacas
que comem poeira

Aí eu me acho o tal
com uma máquina do mal
cheia de opcional
mas eu sou um débil-mental

Quando eu saio para minha "night"
tudo é tão contente,
não faço minha mulher gozar
mas eu tenho um som potente...


(idiotas!)

Composta em 2005 para a minha ex-banda Conduta Exemplar

Abraços do Baiano

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Vida de Casal.

Tem coisa que só o casal vive.

Essa pequena partícula do organismo social é completamente imprescindível por diversos aspectos. São eles que irão gerar o futuro da nação. Há quem diga que as crianças são o futuro, mas se existe algo ainda mais importante é isso: Quem vai ajudar os "pequenos futuros" a se tornarem o presente.

De qualquer forma, esse não é um texto sobre as políticas sociais ou o que quer que seja. É um texto sobre os pequenos momentos que só o casal consegue viver. Principalmente o casal jovem, instável, que ama com a mesma intensidade que se apaixona.



Situações:

1 - Tomar um chute na cara enquanto a namorada tentava descobrir o máximo que a perna dela esticava.

2 - Ter que ouvir a tia-avó (dela) charopando com a sogra por que tem uma bola de futebol americano em cima da cama que ela dorme.

3 - Encarar o fato de que não saca nada hipismo (fora o que é tempo ideal e 'prova de cronômetro') e se matar pra tentar entender o que são lances e imaginar a cena enquanto ela descreve como o cavalo (e ela, óbvio) foram fenomenais no treino.

4 - Comer miojo de formas estranhas, porém, saborosas.

5 - Disputar quem joga melhor joguinhos de flash e ser derrotado em APENAS um, mas ser zuado pra sempre por isso.

6 - Filar a bóia na casa dela.

7 - Frequentar lugares incomuns. ;D

7,5 - Sentir saudade de uma cama.

8 - Jogar strip-poker com as amigas delas. Sendo as fichas.



Ai ai, a vida de casal... É mesmo maravilhosa.



p.s: Falei que ia colocar sobre isso no meu blog, não falei vida? (;

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Fronteira.

Em algum lugar na fronteira do real e do irreal se situa a vida dos seres humanos nos dias atuais.

Nessa mesma fronteira, ampla e com pé direito alto, existem divisões de "estranho" e "normal". Apesar de que eu sempre me perguntei se o normal vivia do lado real ou do irreal, esse não é o ponto do texto.

Alguas vezes você se sente, caso seja perceptivo o bastante, transitando entre essas duas divisões. E, em casos extremos, entre o real e o irreal, os dois pólos.

Eu tenho me sentido assim muitas vezes nos dias atuais. Tenho dormido pouco e pensado muito. Tenho vivido muito e agradado pouco. Tenho me esquecido de minhas próprias filosofias, de meus ideais. Às vezes, só às vezes, o desespero se torna maior que a serenidade e tenho algumas crises que não tinha há tempos.

Mas que venço de maneiras muito mais adequadas nos dias de hoje. Vou fazendo o que posso, vou vivendo o que dá. Vou amando sempre, sofrendo sempre, me distanciando (?) sempre.

Quero estar sempre com você.

Quero ir para nunca mais voltar.

Quero poder me dedicar.

Não quero ter que viver assim.

Quero te amar e te ter.

Quero te perder.

Querer e poder, viver e morrer.

A espiral gira e gira e gira. E os versos nunca morrem, mas um dia tudo chegará ao seu início, a Grande Era Humana. E o Início, como se sabe, é o Fim.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Relatos e Reprises.

Hm.

Estou com sono, bastante sono. Nego tem uma mania de sair dia de semana e não dormir cedo. Ou melhor, dormir cedo, cedo da madrugada tipo 3 da manhã.

Felizmente hoje é quinta, mano! Como a semana passou rápido. Esse ano está voando. Dizem que tudo que é bom dura pouco, que quando a gente se diverte o tempo voa. Estou esperando para ver se o Velho Bastardo vai ter coragem de tirar minha alegria de mim.

Quanto a diversão, quero só ver quando que ela vai realmente chegar.

Enquanto isso continuo trambicando e dormindo no banheiro, no ônibus, no carro e em qualquer lugar que eu consiga fechar os olhos por um instante.

Um texto antigo, que foi bem popular, mas que não parou no blog...



Lá estava eu, sentado à sombra numa manhã fria de julho, um dos dias mais felizes da minha vida (já que meu amor voltaria de viagem). Com as pernas cruzadas e o cigarro entre os dedos, eu observava calado a passagem das pessoas indo e vindo de seus trabalhos.

Havia um prédio logo ao meu lado, e um cimentado razoavelmente grande, com uma espécie de banquinho de cimento (provavelmente usado para desavisados não caírem para a rua de baixo) que se estendia até mais além, na direção oposta do prédio, ou seja, para meu lado esquerdo.

Foi quando aconteceu.

Ele desceu voando, batendo suas belas e imponentes asas e pousou. Inicialmente meus olhos, acostumados com o cotidiano urbano, não perceberam a grandiosidade diante de mim. Ele não era qualquer um, era um exemplar magnífico de sua espécie. Um pombo.

Nos primeiros instantes, como havia dito, julguei ser apenas um pombo normal e estava conversando alegremente comigo mesmo sobre como era interessante a maneira com que os pombos andavam, balançando suas cabecinhas para frente e para trás, com a intenção de não perder o equilíbrio. Conforme pensava nisso, comecei a prestar mais atenção naquele pombo especial.

Ele era forte, de cabeça erguida (mesmo que às vezes fosse erguida para trás, logo depois para a frente), compacto mas musculoso. Era um pombo intrépido. Existem pessoas que percebemos em seus olhos sua força interna, sua coragem. Evidentemente eu não conseguia ver os olhos do pombo na distancia em que estava (e ele não olhava para mim, seus negócios eram outros), mas tinha certeza absoluta de que eram esses olhos.

Ele bicou algo no chão. Estava na sua caça. Como os caçadores de outrora, o Intrépido Pombo havia acordado cedo, batido asas de seu aconchegante lar para procurar comida. Seria ele solteiro? Teria uma mulher para alimentar? Não, provavelmente não, deviam haver dezenas (talvez centenas!) de pretendentes, mas nenhuma que o merecesse. Ele era um varão.

Caminhou, com seu ar quase arrogante (mas não havia espaço para arrogância naquele coração enorme [para pombos]), até perto do prédio à minha direita, subiu uma espécie de calçadinha e lançou um olhar de caçador pelo chão. Pulou de volta ao cimentado, não havia ali no chão do prédio nada que o interessasse.

Ele devia estar pensando algo como "não me parece um bom dia no Setor de Caça SCS-1", mas eu não posso afirmar, não sou bom em leitura corporal pombica.

Logo depois um homem foi passando apressado e seu caminho cruzaria com o do pombo. Era um confronto de territórios, a força selvagem da natureza contra o homem dominador, um embate secular.

O Intrépido Pombo saiu voando. Ele não havia perdido, só estava de saco cheio do garoto com o cigarro que não parava de olhar para ele.